Denis Mariano – Brisk (álbum)

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“Você conhece a história do homem que matou um cavalo à gargalhadas? Ou aquela do garoto que tinha medo da escada uivante? Ou ainda: você lembra das pipas que coloriam o céu eterno da infância? Em forma de música, Denis Mariano te conta.

Neste início de dezembro, o percussionista radicado em Curitiba lança “Brisk”, álbum instrumental de oito faixas inspirado em memórias e causos e concebido a partir de um processo intenso de criação coletiva, em que histórias e música se complementam naturalmente.

Este novo momento artístico de Denis Mariano deu-se com as oficinas “Contando com Sons”, em que o músico convida participantes a dividirem histórias pessoais impulsionados pela percussão – de instrumentos, corpo e voz. “Aí me caiu a ficha. Ao invés de gravar temas prontos, queria compor histórias. Por isso criamos as músicas juntos”, diz Mariano, referindo-se aos seus parceiros de aventura: Alonso Figueroa (teclados), Bruno Bandalise (tuba e eufônio), Du Gomide (guitarra), Sérgio Monteiro Freire (saxofones). Todos “adoraram o risco” e se congregaram entre os dias 29 de julho e 1º de julho numa chácara na região metropolitana de Curitiba para compor “Brisk”. Este é o segundo álbum do músico, que em 2017 lançou “Percuteria”, projeto que também incluía um livro e um DVD.

“Brisk” era o nome do pequeno mercado que a família de Denis mantinha em Santo André, cidade do interior paulista onde nasceu. As memórias estão presentes na maior parte da narrativa musical. A faixa de abertura, “Vô Totó”, ao mesmo tempo insinuante e lúdica, homenageia seu avô paterno. “Folhas” parece ser sobre um caminho possível (e iluminado) entre a nostalgia e a saudade. “Triângulo das Pipas” ressoa a liberdade intocada. Há improvisos fluidos em “Batuque de Mesa”, inspiração na energia de filhos rescém-nascidos em “Bem-Vindos” e, como artista atento ao seu tempo, um respiro conscientizador em “Lucha de Classes”, baseada em poema de Paulo Leminski – com participação de Estrela Leminski e Walter Caballero. “Neste momento nos tornamos uma verdadeira barricada. Criamos e gravamos tudo em menos de uma hora”, diz Mariano.

Musicalmente, “Brisk” transita entre o blues, o jazz e o rock anárquico, com inspirações nas narrativas sonoras de artistas como Steve Reich, Igor Stravisnky, Bernard Herrmann (autor de trilhas de filmes de Alfred Hitchock) e Nino Rota (músico favorito do cineasta italiano Federico Fellini). “Gosto quando a música se quebra, se desloca, e se encontra novamente”, explica o percussionista.

Imersão coletiva, revoltas contemporâneas, crianças, poemas, acasos musicais. Em “Brisk”, Denis Mariano está aberto, antenado. O disco-narrativa foi gravado, mixado e masterizado por Fred Teixeira. A arte da capa é de Fernando Franciosi.”

– Texto por Cristiano Castilho

01 – Vô Totó
02 – Folhas
03- Triângulo das pipas
04- Escada
05- Batuque de mesa
06- Bem-vindos
07- Fosse eu
08- Lucha de classes

Denis Mariano – bateria
Alonso Figueroa – teclados e samples FX
Bruno Brandalise – tuba e eufônio
Du Gomide – guitarra
Sérgio Monteiro Freire – saxofones
Estrela Ruiz Leminski e Walter Caballero – vozes (faixa 8)

Gravado, mixado e masterizado por Fred Teixeira

Arte da capa: Fernando Franciosi

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